
Assoreamento do lago do Parque do Lago não tem solução a curto prazo e custa cerca de R$ 7 milhões
Quem anda pelo Parque do Lago, em Salto, se questiona: cadê o lago que estava aqui?
É que o lago, base para a formação do parque turístico nos anos 90 e para o seu uso atual como reserva ecológica, praticamente desapareceu.
E esse desaparecimento tem ocorrido nos últimos anos, sem que o Poder Público consiga meios para brecar o procedimento da natureza.
Claro que a água da chuva do Parque Industrial ao lado, destinada em grande parte para o córrego, acaba por contribuir com isso
O fato é que andar pelo parque dá uma sensação de incômodo, principalmente para quem é saltense e tem histórias relacionadas ao local.
Quem nunca foi ao parque se exercitar de bike, caminhada ou mesmo corrida? Quem nunca foi com a família para momentos de lazer ou com grupos de amigos ou de jovens?
É que caminhar pelas pistas já não mais permite admirar o espelho de água, sempre imponente e vistoso, com suas centenas de aves.
Tudo virou um grande banhando, um lamaçal, onde as aves caminham em meio ao barro. A água está em alguns pequenos trechos apenas, coberta pela vegetação espessa.
“O Lago está severamente assoreado”, diz secretário de Meio Ambiente

O secretário do Meio Ambiente, Flávio Garcia, afirma ao Blog do Nelson Lisboa que o lago do parque está “severamente assoreado”.
Ele diz que em 2020 e em outras oportunidades, o Rio Tietê invadiu o lago e levou uma grande quantidade de lama e matéria orgânica para dentro do corpo hídrico.
Com isso, se diminuiu muito a sua profundidade e aumentou a proliferação de macrófitas (vegetação flutuante), conforme ele.
Flávio diz que o parque está numa região de várzea e esses períodos de enchente, assim como a entrada e saída das águas do rio, seriam normais e até benéficos se o Tietê fosse limpo, “mas infelizmente não é assim”.
Além disso, ele afirma que em 2021/2022 houve a retirada parcial de macrófitas, mas a profundidade já estava comprometida e o trabalho só pôde ocorrer em aproximadamente metade do lago.
Por outro lado, explica que o lago precisa de chuvas para se manter e que 2024 foi um ano de pouca chuva e seu processo de seca se agravou.
E o futuro, como fica? Flávio diz que para recuperar o lago será necessário um trabalho de desassoreamento, cujo menor orçamento ficou entre R$ 6 e R$ 7 milhões, conforme cotação de 2023.
Quanto a isso, diz que o investimento necessário ficou inviável em razão de outras prioridades da Prefeitura.
E ele acrescenta: “caberá à próxima gestão avaliar a pertinência desse investimento”.
Quanto ao lago seco em grande parte, Flávio diz que o local é um santuário ambiental e o que se vê hoje é igual ao que se vê no Pantanal e outras áreas alagadas, no Brasil e no mundo.
Ele cita como exemplo o Zoopark de Itatiba, onde existe um grande lago praticamente nas mesmas condições e é uma atração para os visitantes, pois os responsáveis pelo local o utilizam para demonstrar as particularidades do bioma pantaneiro.
“E, podem até questionar, mas para a natureza e quem a contempla de forma plena, sabe que um lago nessas condições é muito mais atrativo para a fauna do que um espelho d´agua bonito e sem vida, como vemos em lagos artificiais (ex: lago do “Parque Ecológico” de Indaiatuba).
Prova disso é que quanto mais natural o ambiente se torna, mais espécies de aves podem ser observadas no nosso parque.
Já foram registradas mais de 300 espécies locais e migratórias, garantindo a visita de birdwatchers de todo o país” (FLÁVIO GARCIA).

Por fim, o secretário garante que as áreas de convívio, as pistas de caminhada e playground recebem cuidado constante da Prefeitura e da CSO Ambiental, sendo mantidas em boas condições.
Ele comemora a inauguração do Viveiro de Imersão.
De fato, no espaço, as crianças e público em geral podem contemplar aves de perto, ter contato com elementos dos biomas mata atlântica e cerrado.
Ali é possível ainda agendar visitas monitoradas, onde recebem educação ambiental.
Segurança – Quanto à segurança do parque, com a guarita fechada, em condições desgastadas pelo tempo, o secretário diz que optou-se por não manter vigias constantes em nossos parques.
Por outro lado, diz que há monitoramento pela GCM e sugeriu que questionamentos mais detalhados sejam encaminhados à Secretaria de Defesa Social.
Inegavelmente você não pode perder em nosso canal no youtube imagens colhidas no dia 1º no Parque do Lago
Então que tal agora rever essa reportagem de maio de 2021, quando foi iniciada a remoção das plantas no lago.