
Na noite do dia 19, a Casa Movimento, em Salto, teve a estreia do documentário “Corpos Resistência: Resgate das memórias LGBT+ de Salto”.
Foi uma produção realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
A obra emociona do início ao fim ao retratar com sensibilidade e profundidade as histórias de vida de Paula Geada, Adriano Amaral e Samantha Lima.
Destaca-se que essas pessoas foram escolhidas porque representam verdadeiros marcos na trajetória da comunidade LGBT+ saltense.
De fato, o documentário reconstrói memórias marcadas por resistência, afetos, exclusões e força.
Com relatos fortes, o filme aborda temas como a prostituição como meio de sobrevivência em uma época em que pessoas trans enfrentavam o desprezo da sociedade e eram alvos de escárnio.
Além disso, também relembra os bailes e encontros que marcaram gerações e contextualiza o início da luta por direitos no município.
Sendo assim, o documentário é um resgate histórico necessário que valoriza trajetórias apagadas pela narrativa oficial.
A noite também contou com uma roda de conversa sobre o documentário.
Participaram Edson Alexandrino — mestre em Estudos da Condição Humana (PPGECH/UFSCar) e fundador da Associação Entrelaços; Chell Oliveira — pesquisador e vereador em Salto.
A prosa ainda teve a presença de Rafael Barbi — professor e educador.
O documentário é uma produção da Koba Produção Cultural.
A realização é de Edson Alexandrino, Victoria Cristina, Paloma Oliveira e Adriele Martins.
Além disso, ele integra as atividades da 4ª Semana da Diversidade de Salto.
UM RESGATE HISTÓRICO PARA A POPULAÇÃO LGBT+ 🏳️🌈
A produção de “Corpos Resistência” representa mais do que um registro audiovisual — ela é um instrumento de reparação simbólica e de preservação da memória da população LGBT+ de Salto.
Em uma sociedade marcada por violências estruturais e silenciamentos históricos, dar visibilidade às trajetórias de pessoas que enfrentaram o preconceito e lutaram por dignidade é um ato político e pedagógico.
A partir do conceito de memória coletiva (Halbwachs) e das teorias de reconhecimento social (Axel Honneth), compreendemos que essas narrativas não apenas documentam o passado, mas também fundamentam a luta por direitos no presente.
O documentário reforça a importância de políticas públicas de cultura e inclusão como caminhos para garantir cidadania, visibilidade e justiça social para populações historicamente marginalizadas.
“Corpos Resistência” é, portanto, uma obra fundamental para a história local, um gesto de escuta, valorização e empoderamento das identidades LGBT+, com potência transformadora para as próximas gerações.
(Por: Édy Rodrigues – Jornalista)
Agora que tal clicar e visitar nossas redes sociais, pode ser?