
O motoboy B.H.D, pai de uma garota de 3 anos, portadora de autismo, tomou um imenso susto ontem, dia 30.
Ele chegou às 17h para retirar a criança da creche, do Cemus XV, no Jardim Salto Ville e a encontrou, sozinha, no meio da rua.
O susto foi ampliado porque 17h é horário de grande movimento e o pai tentou saber o que houve para a criança sair sozinha à rua.
Ele revela: “Minha filha estava na faixa de pedestre, no meio da via, parada, rodopiando, procurando alguém, perdida, sem saber onde estava”.
Além disso, após resgatar a criança, B. chegou a passar mal e precisou ser amparado por outras pessoas.
Em seguida, o pai acionou a Guarda Civil Municipal, que demorou muito para chegar, e fez um termo circunstanciado de ocorrência (TCO).
Hoje, dia 31, o pai abriu um boletim de ocorrência por abandono de incapaz e, muito inconformado também foi ao Conselho Tutelar.
No local, foi acolhido e orientado sobre as medidas cabíveis.
Ao Blog do Nelson Lisboa afirma que nem a diretoria da unidade escolar e nem a Secretária da Educação se dispôs a falar com ele.
Revoltado porque sua filha é autista e poderia ter desaparecido ou ser atropelada, o pai afirmou que vai acionar a Prefeitura na Justiça.
A ideia é que se avalie a responsabilidade dos que deveriam cuidar da criança e também da própria Prefeitura.
Educação diz que abrirá processo administrativo
A reportagem acionou a Prefeitura, que em nota, garante estar acompanhado o caso.
Segundo informações, a Secretaria de Educação tem conhecimento sobre o ocorrido e já está tomando as medidas necessárias.
Dentre elas, será aberto um processo administrativo interno em relação aos responsáveis.
Além disso, a Educação diz que o pai esteve na secretaria na tarde de hoje e que foi atendido pela supervisora da unidade.
Por fim, afirma que o pai foi orientado sobre as medidas que serão tomadas.
Ouvido novamente, o pai disse que tem recebido orientação apenas do Conselho Tutelar e lamenta que a reunião foi desmarcada por telefone.
NOSSA OPINIÃO
Obviamente todas as responsabilidades devem ser apuradas e cada um responder pela sua.
Afinal, é a vida de uma criança autista que foi colocada em risco.
Porém, é preciso também apurar a responsabilidade pública por manter creches com muitas crianças e poucas equipes.
É sabido que as equipes das creches atuam sob pressão, com poucas pessoas para muitas crianças.
De fato isso não justifica deixar uma criança autista sair sozinha; porém, a sobrecarga amplia a chance de erros. Em qualquer lugar.
Também é sabido – e aqui cabe uma reflexão – que os servidores das creches e pré-escolas precisam de melhores condições de trabalho.
Que cada um responda por seus atos; mas, que o todo também seja avaliado, medido e responsabilizado.
E que a obrigação de responder por isso não caia apenas para os servidores. Gestor também deve ter sua responsabilidade avaliada.
Além disso, é preciso haver empatia, acolhimento, solidariedade ao susto que a família tomou.
Também mostramos em setembro o caso de um garoto picado por escorpião em outra unidade municipal.
Então reveja