Quando a boa vontade do cidadão supera a omissão do Poder Público em Salto

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Recebemos esse texto do nosso amigo Ernivan Balieiro

“Em um trecho íngreme e perigoso ao final de uma rua em Salto, um morador, cansado de ver a si mesmo e seus vizinhos escorregando e caindo ao tentar acessar a Avenida das Nações Unidas ou o Jardim Planalto, decidiu agir.
Após solicitar por três vezes às gestões públicas municipais que construíssem uma escadaria no local — e não obter resposta — ele próprio ergueu, com as próprias mãos, uma escada improvisada.
Utilizando restos de tábuas para a caixaria, ferragens de boa qualidade descartadas por construções e doações de sobras de concreto, ele fez o que o poder público não conseguiu ou não quis fazer.
Não se trata aqui de romantizar a ação individual que, embora admirável, não deveria ser necessária. Trata-se de um alerta: quando o cidadão comum precisa assumir funções básicas que cabem ao poder público, algo está profundamente errado na estrutura da gestão.
Esse gesto, além de demonstrar espírito comunitário, evidencia o abandono de áreas periféricas e de necessidades cotidianas que, por falta de visibilidade política, são deixadas de lado. Não se pede luxo, apenas infraestrutura básica e segura — como uma escadaria que permita o ir e vir com dignidade.
É hora de repensarmos o papel da administração pública: ela deve servir às necessidades reais da população. Quando um morador consegue construir, com criatividade e esforço, algo que três gestões ignoraram, não é apenas um exemplo de cidadania — é também um retrato da ausência do Estado onde ele mais se faz necessário.
(Ernivan Balieiro)

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